Também foi dia dos pais por aqui, e no dia seguinte, ah vida
irônica!, fizeram 7 meses que não havia a quem dirigir o -FELIZ DIA DOS PAIS!,
quer dizer, ter a gente sempre tem... não havia era ele aqui. Ficou no lugar o
impronunciável, um banho de piscina pra esquecer, afinal ela ainda está (um ufa por isso, ela é o melhor da vida)... um almoço em família, sem
ele... ficou as coisas banais que nunca são iguais... e já se vão 7 meses... o
pássaro fez seu último vôo e ninguém pergunta mais se doi... talvez seja melhor
assim, ficar espremendo ferida só faz cair aquela casquinha fina e voltar a
sangrar. Mas eu não consigo ser triste, acho que não “orna” com o espetáculo da
vida e parece tão démodé ficar choramingando enquanto há um relógio que não
perdoa do lado de fora da gente que cobra pressa, cobra raciocínio rápido. A gente
meio que se nega a fazer esse papel de sofredor na vida... Há ainda muita coisa
boa... É Ele que já não está mais aqui... e o coração ainda pula do peito volta
e meia... e eu ainda sinto o pulso parar por segundos e ficar sem ar quando
penso nele fazendo morada para aquele maldito câncer... vai ver é por isso que
a gente vai adiando escrever, ver, sentir... a gente vai deixando pra lá,
porque ainda tem que viver... não há outra escolha a fazer... ninguém aqui tem
vocação pra suicida e menos ainda pra gente depressiva... sempre foi tudo tão
italiano de fala alta e risada mais alta ainda... Não combina com a gente essa
coisa de ficar baixo astral... aí você acorda, pega papeis, lê livros, corre
pela vida, vai ao mercado, ao trabalho e ao bar, e parece que em toda esquina
tem uma coisa que faz lembrar... é a pegadinha da memória, sinal de que foi
intenso enquanto ainda podíamos nos conectar fisicamente... eu sequer sabia que
a gente tinha essa capacidade... essa de suportar! e eu sempre caio nessas
armadilhas, a primeira é a de rimar, acho que eu gosto de palavras que
combinam, e a segunda é a de sentir saudade... e de fazer silêncio para quem
não merece dessa pequenina grande dor compartilhar... eu deixo pra lá... e fico só pedindo piedade... mas o peito fica apertado
volta e meia... borra o rímel, borra a hora, mas o dia fica intacto... nem pensar de deixar tristeza fazer morada, Deus me livre de virar uma vitimista as avessas, eu quero alegria... aí a gente sacode a poeira, dá a volta por cima, passa um batom
(mulher tem esses amuletos, e confesso que faz parte da sorte, ajuda um bocado
passar a máscara da maquiagem e deixar ela fazer a mágica de fazer sorrir), dá
uma ajeitada no cabelo, cortado durante as maluquices depois que ele partiu, e
continua... lê livros, faz um café, vai ao parque, a uma loja, viaja... e
entende que a vida é assim mesmo... haverão dia dos pais, seu aniversário, 1
ano de sua morte... mas também haverão nascimentos, conquistas, pequenas
vitórias do cotidiano... é a vida e o jogo dos sete erros... dentre eles o de
se apegar no que não se deve... o jeito é ir se acertando com o que vale a pena
e fazendo novas recordações, novos textos... novas lições... é vida que segue,
sorte a nossa...! melhor aproveitar.


FOTO (Hospital do Câncer - Goiânia - novembro 2013 - 2.ª Consulta com a onco)
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