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sábado, 14 de janeiro de 2012

As retóricas do recomeço


Nada no universo é tão proibido quanto perder, aliás mesmo isso, o perder é uma invenção daquelas mais humanoides, cheia de rótulos e dimensões equivocadas das concepções da vida... temos a obrigação de nascermos perfeitos, bonitos, inteligentes, temos a obrigação de ser robóticos e treinados para vencer... perder não pode entrar no dicionário de experiências saudáveis da vida cotidiana... perder é vergonhoso, dizem os mais críticos... perder é fraqueza, interpretam os arroaceiros de auto-estima... perder é feio... aprendemos desde criança... é a liquidez Baumânica da vida... quase o shamã dos sonhos impedindo os fracassos diários...
Agora me diga: sua vida é só vencer??? Vc nunca perde??? Se a resposta para as duas perguntas for sim, PARABÉNS... vc é um em milhares de reles mortais com a sina da perda em seu DNA, que perdem sim, talvez não muito orgulhosos, mas fortes o suficiente para recomeçar... Convenhamos baby, com toda a efemeridade da vida e a gangorra bipolar dos acontecimentos é impossível querer ser a todo tempo o maior dos vitoriosos e mesmo que nos sintamos cobrados pela sociedade líquida em ser o maior dos Power Rangers, é preciso saber lidar com as derrotas na mesma proporção que é preciso compreender a felicidade das vitórias... faz parte do mistério da vida compreender que nem tudo está ao nosso controle e mesmo as coisas mais simples que suponhamos poder controlar podem simplesmente não ser do rol das coisas controláveis... e o verbo perder começa a ter a possibilidade de ser conjugado...
Na verdade, perder não é a questão... o secreto consiste é no recomeço... o mistério está em o que fazer com a perda... o segredo está em como elaborar esse sentimento internamente e trabalha-lo de forma saudável a fazer parte do escudo que a vida vai formando em torno da gente... perder pode tanto ser um alicerce protetor como um elevador para o inferno... a diferença está na proporção que vc dá... acho que sou boa nisso... 
por ora, algumas perdas tem sido colecionadas por mim... humanoide que sou... onde corre sangue nas veias... e não há imutabilidade.. . creio, entretanto, que as retóricas do recomeço dão um bom enredo para o início de uma história com final feliz... afinal se é recomeço vc sabe mais ou menos onde errou e pode simplesmente não repetir o erro... e pode entender que algumas coisas, por mais dolorosas que sejam, fazem você crescer... de um jeito torto ou meio desequilibrado te fazer perder é o jeito que a vida tem de fazer ampliar seu escudo protetor e torna-lo mais preparado pra vencer... penso, acima de tudo, que estamos na vida para essas e outras coisas... pequenas lições, perdas e ganhos. Por ora, sou recomeço!!!



2 comentários:

nay disse...

Lindo Lia.... são as minhas questões ainda restantes do natal... o perder ensina.. ensina muito.. um abraço. nay.

Universo em retalhos disse...

Oi Lia,
o que diferencia o virtuoso dos demais, não é a quantidade de medalhas e de troféus que coleciona! Portar-se como vencedor é fácil, curvar-se ante os aplausos também... Não é necessário fazer nenhum esforço, isso é consequência natural de nossa existência. O difícil, e aquilo que diferencia os seres virtuosos dos demais, é saber reconhecer a derrota como consequência das limitações que temos, e sabermos nos portar enquanto tal. É na derrota que se vê a nobreza de alguém. Aquele de espírito grande sabe reconhecer-se como responsável pela derrota, e não a imputa aos outros, ou as injustiças das quais é vítima! Mas vê no erro uma possibilidade de aprendizado.
Como dizia o grande Paulo de Tarso, um sujeito que apesar de preso por defender suas idéias e condenado à decapitação por isso, dizia: "quando estou fraco então sou forte."
Superar é o maior da condição humana... Reconhecer as limitações de maneira a superá-las é certamente, característica de poucos, de pessoas como você!

Do seu grande amigo cheio de saudades, Vinícius!

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